domingo, 10 de agosto de 2008

Sufoco de madrugada


Ontem, de madrugada, pediste-me o meu coração.

Quando te neguei tal oferta, choraste, choraste tanto... Que com os olhos cheios de lágrimas nem reparaste que te dei a minha alma, enquanto imploravas pelo meu coração ardente.

O meu coração, esse pobre vagabundo que corre o mundo sem par nem destino, nada vale...

A minha alma... Oh minh'alma desesperada e pura, essa era a minha fortuna, e tu nem viste, ontem de madrugada...

sábado, 9 de agosto de 2008

(c)Alma da gente


Não quero mais ter alma de gente, que se afoga na imensidão duma liberdade infiel.

Não quero mais ser da gente que se esconde pela vida, fugindo dum passado que corroí as mentiras que deram cor à verdade que sumiu.

Não quero mais pensar, pensamentos inquietos que sopram suspiros, e suspiram em sopros os pensamentos que penso sem pensar.

Não quero fugir de mim mesma, entregando a minha alma de gente à gente sem alma, que foge à pressa com a calma que purifica a alma que se perdeu pela viagem...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Fado


Sei que o fado está traçado
Nas linhas da minha mão.
Sei que a loucura de um verso amargurado
Me transporta por ai ao vento, que me leva em vão.


Para um sei-lá de enfins, que me beija a pela despida.
Que me envolve perdida,
Que me sussurra mentiras de louvores.
Que me consome, que me prende, que me arranca suores.


Mas será este o fado que canto
O fado que me encanta sem cantar
Será este o meu pranto
Que busco em vida e passo a vida sem encontrar.


Serás tu o meu fado cruel,
Que me enlouquece que me arrepia a pele?
Serás tu o meu fado?
Serás tu quem me acompanha, sem nunca me ter tocado?


Procuro-te porque me mata a sede procurar-te.
Não te quero prender, não quero magoar-te.
Não te quero saber de cor, ou cantar-te à desgarrada
Só te quero amar, nem quero ser amada.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Pontuação

Escrevi palavras e apaguei palavras, apaguei virgulas e pontos finais...
Todas as palavras falam de ti, e as virgulas amaldiçoadas cada vez te afastam mais de mim...
Os pontos finais, esses são sábios, eu não os culpo...
Não me revoltam nem me assustam... Só me entristecem... Tento não os usar, substituir por reticências inoportunas, ou por um ou outro ponto de exclamação louco!
Mas eu sei, eu juro que sei, que já não há espaço para reticências nem para pontos de exclamação...
E haverá espaço para pontos de interrogação? Espaço, talvez... Mas tempo...
Tempo já se esgotou, a vida agora é como este texto, que evita um ponto final...
.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Reticências

Pediste-me para confiar, que a seu tempo entenderei o porquê de te fechares em ti mesmo, o porquê de te esconderes na tua liberdade. Eu confio mas não entendo, nem posso entender...

Ontem foi, talvez, a noite em que te vi pela ultima vez, e apesar de me jurares que não, sei que no fundo eu devo ter razão... Sinto-me tão impotente, perante isto a que chamam destino. Que nos junta para nos separar, em tão pouco tempo... Ambos sabemos que não foi por acaso. Não foi mesmo por acaso. E apesar de neste momento não entender, de estar perdida, em mim, nos meus sentimentos, estou bem.

Não sei o que escrever no final deste curto capítulo da minha vida que escrevemos juntos. Não sei se deva escrever já o ponto final. Se o deixo assim... Mas sei que tenho que seguir...
Desde o inicio que fomos sinceros, e sabia-mos que esta situação teria um inicio, um meio e um fim. E sempre soubemos que o fim seria ontem... Mas fizeste-me crer e querer que ontem não foi um fim. Sei que tens algo que te prende, algo que te impede, de seguires. E no silêncio de todas as palavras que disseste ontem, pediste-me que esperasse por ti, que irias voltar, voltar leve, voltar sem receios, voltar sem medos. Não sei se voltas, mas sei que não partirás.
De mim, não partirás.

Sentirei tanto a tua falta... Sinto tanto a tua falta...

Mas confio em ti, confio nos teus olhos, confio no teu abraço. Vou confiar, porque mereces que confie. Fizeste-me bem, tão bem...

Tudo depende de ti, eu... estarei aqui.

domingo, 3 de agosto de 2008

Carta


Sei que é impossível, sei que é quase que ridículo pensar em ti desta forma.
Sei que amanhã vai ser o ultimo dia que vamos estar juntos, vais embora, seguir com a tua vida. Eu fico aqui, a continuar a mesma vida, a mesma rotina.
Apesar de curto este tempo, vou sentir a tua falta. Vou mesmo sentir a tua falta, aliás já a sinto e só se passaram poucos minutos desde que tive em teus braços.

É tão assustadoramente bom o que sinto... Sinto-me tão... tão... eu. Como já não me sentia há muito tempo...

Obrigado por tudo, obrigado por todos estes momentos. Por todos os sorrisos. Obrigado por teres aparecido na minha vida, e eu sei que não foi por acaso. Senão descobrir o porquê nesta, descobrirei em outra vida, mas descobrirei. Amanhã será o ultimo dia desta primeira etapa.
Estou triste e estou feliz.

Mas estou a sentir-me viva.

Finalmente, sinto-me viva!
(a ti,
Obrigado)

sábado, 2 de agosto de 2008

Tão mutuo


Foi mutuo, tão mutuo.

Assustei-me com o teu olhar tão perto do meu, tentaste ler tudo o que nunca tive coragem para escrever. Invadiste a minha alma e fizeste-me tremer, sem sequer me tocar. E no calor dos teus braços senti-me em casa, senti-me no meu lar. Aqueceste o meu coração, deste-lhe de novo um rumo.
O teu cheiro... Pensar no teu cheiro faz-me sorrir. Pensar em ti, faz-me fechar os olhos, e acreditar... Acreditar na cumplicidade que nos uniu. Foi verdadeira, e digo isto com toda a certeza do Mundo, foi mesmo verdadeira. Deixei-te viajar por todas as páginas do meu livro, até por aquelas que rasguei, ou quis rasgar.


Não sei o que vai acontecer depois,
mas seja como for, obrigado.
Só te tenho a agradecer por me teres dito bem baixinho que algures na felicidade há um cantinho à minha espera.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Juntos


Os teus lábios disseram-me que a felicidade é uma cidade distante, o teu olhar disse-me que vamos viajar juntos.