sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O hoje

é o dia,
o dia consagrado e esquecido
amargurado e imaculado.

o hoje

é o principio,
o principio do que já vai a meio
o dia principal que assombra.

o hoje

é a lágrima,
a lágrima que limpas a disfarçar
depois de a forçar.

o hoje

é a solidão,
a solidão que inventaste,
a solidão que (não) comove.

o hoje

é o grito,
o grito que custa a sair, que quer sair, que precisa de sair
o grito que ninguém pode ouvir.

o hoje

é o sorriso,
o sorriso virgem e cândido
o sorriso hipócrita e irónico que todos têm num pedestal.

o hoje

é o dia,
o dia em que te digo que os ontens foram demais.
e amanhã... será amanhã.

o hoje,

o hoje nunca mais.

(...estava ali guardado, num caderno antigo, com o pó de varias mudanças, de varias metamorfoses e achei que era altura de o passar para aqui.)

2 comentários:

Maysha disse...

Olá, agradeço a visita e o comentário que me deixou.
Gostei do que escreve e deste espaço. Voltarei, sem duvida.
Até lá deixo-lhe um beijo de Luz.
Isa

O Profeta disse...

Uma rosa breve
Uma hortênsia de alva cor
A terra molhada pelo sereno
Nos celeste paira um Açor

A madeira verde, a dança do fogo
O embalo do loureiro no vento, o alecrim
Um ribeiro de inquietas águas
Levam o perfume das mágoas em viagem sem fim


Convido-te a sentir a minha paleta de aromas


Mágico beijo